Elas estão cada vez mais adoecidas por causa do assédio e das culturas hostis – para mudar essa realidade, é preciso combater a violência organizacional.
As mulheres não estão bem. Quase metade têm algum diagnóstico de saúde mental (Esgotadas, Lab Think Olga) e 52% das que relatam esgotamento estão em estágio avançado de Burnout (IPEFEM, 2024). Os dados reforçam a importância do Setembro Amarelo, campanha que coloca a saúde mental e a prevenção ao suicídio em foco.
O trabalho pode agravar muito o quadro evolutivo do comportamento suicida. Em 2019, 83% dos casos de suicídio notificados entre pessoas de 14 a 65 anos ocorreram em atividade de trabalho. No último ano, os índices de tentativas e pensamentos suicidas no trabalho cresceram 367%. Uma pesquisa da FENASPS mostrou que a maior parte dos servidores do setor são afastados por transtornos decorrentes da violência organizacional, sendo o assédio a agressão mais frequente. É fato: o assédio adoece toda a sociedade.
Nesses casos, o gênero faz diferença, pois “a violência é um monopólio do masculino”. É o que afirma Ana Tomazelli, diretora-presidente do Ipefem. No ambiente de trabalho, o assédio é expressão de uma estrutura misógina que reflete nosso tecido social. Assim, Ana destaca que garantir os direitos das mulheres passa por reconhecer os deveres dos homens. Lembrando que, além disso, eles também têm a saúde mental afetada ao desenvolverem comportamentos autodestrutivos dentro de uma masculinidade tóxica.
“Os meninos ainda são criados para inibir emoções que os vulnerabilizem e há um fenômeno em redes sociais que segue estimulando a visão objetificada em relação às meninas, além das situações de bullying, racismo, entre outros, produzindo distanciamentos emocionais relevantes. Além dos distanciamentos, a falta de habilidade dos pais em reconhecer os sintomas ajuda a aprofundar um vazio que impele o masculino ao desamparo e à sensação de ‘beco sem saída’ que pode ser irreversível, o que ajuda a explicar o aumento de suicídios de jovens nos últimos anos.” – Ana Tomazelli, Diretora-presidente do Ipefem
É lei, mas poucas empresas ainda combatem o assédio
Segundo a OIT, uma em cada cinco pessoas já sofreu com o assédio no trabalho, e conforme levantamento Think Eva com LinkedIn, 47% das mulheres já foram vítimas de assédio sexual nestes espaços. Além da saúde física e social, o assédio provoca estresse exacerbado, síndrome de Burnout, depressão e ansiedade. 35% das mulheres que sofreram assédio sexual passam a viver com constante medo, o que dificulta denuncias e a busca por apoio: só metade dessas mulheres compartilhou a experiência com alguém, um terço não faz nada e uma em cada 6 pede demissão, por temer retaliação ou sentir culpa. Quando a vítima é silenciada, seu sofrimento é amplificado. O cenário que temos hoje é:
- mulheres têm até 67% mais chances de desenvolver quadros severos de Burnout
- 73% das que sofrem Burnout convivem com o preconceito de gênero no trabalho
- 92% já sofreu assédio moral e 61% sofreu assédio sexual, fatores que resultam em um adoecimento profundo porque se somam à sobrecarga da dupla rotina: elas dedicam em média 9,6 horas semanais a mais do que os homens a trabalhos domésticos e de cuidado.
Apesar de tudo isso, só 17% das empresas brasileiras têm processos de recebimento e apuração de denúncias alinhadas à CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) prevista pela Lei Emprega + Mulheres, que estipula a obrigatoriedade do combate ao assédio nas organizações e a construção de ambientes acolhedores e seguros. No ano passado, os transtornos mentais se tornaram a terceira maior causa de afastamento no trabalho do Brasil, contudo, é impossível construir segurança psicológica quando as ações mantêm agressores sem punição e vítimas sem acolhimento.
Setembro Amarelo além do post no Instagram
Ambientes machistas e com baixa qualidade de saúde mental prejudicam a todos: a queda na produtividade provocada pelo adoecimento mental gera uma perda de 4,7% no PIB, uma redução de mais 800 mil empregos gerados no país por ano e uma perda de mais de 164 bilhões em massa salarial. O cuidado, por outro lado, gera impacto positivo nas pessoas e nas empresas – segundo a OMS, para cada dólar investido em ações de saúde e bem-estar de trabalhadores, quatro dólares são percebidos em aumento de produtividade.
No Setembro Amarelo, ações de cuidado devem dialogar com o combate ao assédio. Entender o impacto dessa violência na saúde mental permite transformar ambientes de trabalho em espaços de bem-estar. A lei Emprega + Mulheres se torna aliada nessa causa, aumentando a responsabilidade das organizações, assim como a Lei 14.540, que institui programa de prevenção e enfrentamento ao assédio sexual na administração pública, e a Lei 14.831, que certifica empresas promotoras de saúde mental com um selo nacional.
Políticas para o desenvolvimento pessoal, programas de bem-estar e iniciativas que impulsionam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional são fundamentais. Como exemplo, a Ambev ampliou o debate sobre saúde mental promovendo educação e acolhimento aos colaboradores para prevenir o adoecimento. A Unilever aposta em rotinas flexíveis, estímulo à atividade física, psicoeducação para gerenciar transtornos mentais e apoio psicológico, financeiro, jurídico e social. Mas essas ações só têm efeito se empresas reconhecem e tratam aspectos nocivos de suas culturas organizacionais.
A Think Eva atuou com Magalu para criar uma plataforma de comunicação e letramento, difundindo políticas e canais de denúncia para capacitar mais de 30 mil funcionários como agentes no combate ao assédio dentro e fora do ambiente de trabalho. A Think Eva também apoiou a 99taxi na criação de uma IA capaz de filtrar denúncias de assédio na plataforma, apoiando também a qualificação da equipe que acolhe vítimas e responsabiliza agressores.
“Quase metade das mulheres que trabalham fora de casa já enfrentou algum tipo de assédio, mas o tema ainda é pouco discutido. Toda empresa possui uma cultura organizacional formada por valores e práticas próprias. Por isso, é essencial mapear constantemente soluções e identificar as ações mais eficazes para prevenir e combater o assédio nesse contexto específico. O primeiro passo é realizar um diagnóstico da maturidade cultural da empresa. A partir disso, podemos criar um plano de ação personalizado para iniciar um processo de conscientização e adaptar a estrutura organizacional no enfrentamento ao assédio.” – Nana Lima, cofundadora da Think Eva
Em quase 10 anos, a Think Eva já apoiou centenas de organizações no enfrentamento ao assédio. Conheça algumas das soluções:
- Cartilha: um material gratuito para lidar com os diferentes tipos de assédio. Traz as leis e o passo a passo inicial para combater o assédio moral e sexual na sua empresa.
Matriz Trabalho Sem Assédio: um autodiagnóstico gratuito e online para que empresas entendam o nível de maturidade de suas culturas no enfrentamento ao assédio. Ao responder as perguntas, é possível descobrir se sua organização está no caminho para se tornar um ambiente livre de assédio. - Curso Online: o treinamento definitivo para acabar de vez com o assédio no ambiente de trabalho, reunindo todos os conceitos, estruturas e propostas necessárias para criar uma cultura organizacional segura para todas as pessoas. Indicado para empresas, lideranças e colaboradores.
Para saber mais sobre como a Think Eva pode te apoiar, escreva para a gente.
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*Este conteúdo contou com a colaboração de Rubiana Viana.