Mulheres e mães sempre sofreram com a hostilidade do mercado de trabalho. Mas até onde os vieses contra a maternidade podem impactar a carreira profissional de quem tem filho e de quem sequer pensa em ter?
Para as mães que vivem em domicílios com crianças de até 3 anos, a taxa de ocupação é 13% menor em comparação àquelas que não possuem filhos nessa idade. Além disso, quase metade das brasileiras são demitidas até 14 meses depois do retorno da licença maternidade. Isso ocorre porque ainda há uma lógica que valoriza os profissionais mais disponíveis ao trabalho. Nesse contexto, a divisão sexual do trabalho, que responsabiliza mulheres pelo trabalho doméstico e de cuidado, impacta diretamente a inserção e permanência da população feminina nos empregos, o que ocorre tanto pela sobrecarga da dupla jornada quanto pelos preconceitos de gênero associados a essa dinâmica.
“Voltei da licença maternidade e fui demitida. Ouvi: ‘agora você pode se dedicar mais à sua filha PCD. (…) Só consegui retornar ao trabalho porque tive apoio da família. Quando voltei ao trabalho não tinha mais atividades designadas a mim, tive que ‘procurar o que fazer’. Dias depois, tive um feedback de que meu trabalho não estava indo bem e na outra semana fui demitida.” – Relato Seguidora Think Eva
“Fui ignorada por um diretor que entrou por estar grávida. Ao voltar da licença, fui desligada.” – Relato Seguidora Think Eva
“Quando estava com a licença maternidade agendada, percebi que começaram a me excluir de reuniões e conversas importantes mesmo faltando dois meses para eu sair.(…) Ouvi de uma colega a desculpa de estarem evitando ‘me preocupar com isso’ pra que eu ficasse tranquila. Mas nada me deixava menos tranquila do que sentir que perdia espaço. E não sei se terei meu espaço quando voltar.” – Relato Seguidora Think Eva
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Os preconceitos contra a maternidade também afetam as outras mulheres. É o que mostram as PhDs em estudos de gênero Amber Stephenson, Amy Diehl e Leanne Dzubinski. Em um levantamento, elas provam que as mulheres não desfrutam das mesmas vantagens que os colegas homens sem filhos devido a um “muro maternal”. Realizada com 913 mulheres norte-americanas em posição de liderança, a pesquisa destacou 4 tipos de preconceitos que limitam carreiras femininas:
- Viés “Mãe potencial” (“Maybe Baby”) – As mulheres sem filhos são vistas como “potenciais futuras mães”, o que leva a discriminação nas contratações e promoções. No Brasil, 37% das mulheres em idade fértil não desejem ter filhos.
“Durante o período de contratação, uma coordenadora perguntou se eu estava grávida ou se pretendia, porque muitas funcionárias haviam engravidado e eles não queriam mais uma grávida.” – Relato Seguidora Think Eva
- Viés “Superdisponibilidade” (“Do More”) – É a expectativa de que as mulheres sem filhos trabalhem e assumam mais responsabilidades porque supostamente possuem menos compromissos pessoais. No entanto, mulheres no geral gastam o dobro do tempo dos homens com tarefas domésticas, com filhos ou não.
“Ouvi: ‘tinha planos pra você, não pensei que fosse casar…’” – Relato Seguidora Think Eva
- Viés “Ganhe Menos” (“Pay Less”) – A ideia de que mulheres sem filhos são menos merecedoras financeiramente. Essa é a perfeita construção de um estereótipo: uma ideia que se baseia no senso comum e em nada reflete a realidade. Além do absurdo de tornar mulheres mais ou menos merecedoras de suas remunerações, o mercado de trabalho, na verdade, penaliza o salário e a carreira das mães, que chegam a receber até 40% menos do que mulheres sem filhos.
- Viés “Sempre inadequada” (“Never Quite Right”) – O estigma de que mulheres, mães ou não, são inadequadas para certas posições de liderança. No Brasil, mesmo com avanços recentes, apenas 39% dos cargos gerenciais são ocupados por elas.
“Eu tenho um cargo de liderança e respondia direto pros sócios da agência (homens), mas depois que comuniquei que estava grávida, percebi que começaram a me excluir de conversas importantes estratégicas” – Relato Seguidora Think Eva
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Em nossas redes sociais, perguntamos se nossas seguidoras sabiam que os preconceitos contra a maternidade afetam todas as mulheres e 44% afirmou que sim, e que já foi vítima, enquanto 45% já viu acontecer na prática com colegas. Os relatos reforçam que mesmo as mulheres sem filhos vivem os vieses de maternidade na pele.
“Em 3 entrevistas de diferentes empresas fui questionada se tinha filhos. Quando disse que não, logo perguntaram sobre a minha intenção de ter. Quando respondi que não tenho intenção em momento algum, fui olhada da mesma maneira em todas: como se estivesse mentindo pra aumentar minha chance de conseguir o emprego.” – Relato Seguidora Think Eva
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Segundo o Banco Mundial, sem as práticas que discriminam mulheres no mercado de trabalho, o PIB global poderia ser ao menos 20% maior. Contudo, os preconceitos de gênero contribuem para o aumento das disparidades sociais e a vulnerabilidade da população feminina: uma em cada dez mulheres vive na extrema pobreza e só 61% em idade para trabalhar estão no mercado de trabalho, em comparação a 90% dos homens. Além disso, segundo as Projeções de População de 2024 do IBGE, nas próximas décadas as brasileiras terão cada vez menos filhos, e a idade média em que elas se tornam mães pela primeira vez também aumentará. Esse fenômeno, que se vincula ao envelhecimento populacional, terá consequências no financiamento de aposentadorias, planos de saúde e até no crescimento econômico nacional, provando mais uma vez a importância de tornar o mercado de trabalho acolhedor e inclusivo.
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“O entendimento de que o preconceito contra a maternidade afeta as oportunidades de trabalho para todas as mulheres é fundamental para aprofundar o debate e romper com a lógica de culpabilização do indivíduo“. – Nana Lima, co-fundadora da Think Eva
Tornar o mercado de trabalho mais igualitário também passa pelos seguintes passos:
- Revisar processos seletivos, treinar entrevistadores e adaptar planos de carreira;
- Estimular os homens a se responsabilizar de forma mais igualitária no trabalho de cuidado;
- Oferecer licenças parentais igualitárias e licenças paternidade estendidas, e disponibilizar auxílios para mães e pais no retorno da licença, como auxílio creche ou auxílio babá;
- Promover a igualdade salarial entre homens e mulheres;
- Adotar jornadas de trabalho mais flexíveis;
- Apoiar mulheres a alcançarem e se manterem em posições de liderança;
- Combater o assédio e as violências de gênero.
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A Think Eva possui soluções propositivas que auxilia empresas na construção de uma cultura que impulsiona a equidade de gênero, adaptadas às necessidades e características de cada organização. Se precisar de apoio, converse com a gente.
*Este conteúdo contou com a colaboração de Rubiana Viana.