5 ações para a sua empresa alavancar a Igualdade de Gênero em 2025

Com o cenário atual das desigualdades e a chegada do novo ano, mapeamos os esforços essenciais que a sua empresa pode impulsionar por um mundo mais igualitário

Uma menina que nasce hoje vai esperar 97 anos para ver a igualdade de gênero ser alcançada no mundo. Esse é um dos achados da Equal Measures 2030, coalizão global que cobra governos e acompanha o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de gênero em 139 países. Faltando pouco para o fim do prazo da Agenda 2030, nenhuma nação está a caminho de atingir os objetivos de equidade antes do próximo século.

Os dados levantados pelo relatório indicam que nenhum país está a caminho de atingir os objetivos de igualdade de gênero. E a projeção tende a piorar com as múltiplas crises que estão em curso. Só entre 2019 e 2022, quase 40% dos países estagnaram ou declinaram nos índices de igualdade. Se a tendência permanecer, as desigualdades globais de gênero poderão ser piores em 2030 do que eram em 2015, ano em que os ODS foram criados.

 

Crises interconectadas aprofundam desigualdades

A Equal Measures aponta que o cenário atual é resultado da sucessão de crises econômicas, sociais e políticas que enfrentamos e seguiremos enfrentando. Se por um lado os governos despriorizam políticas de combate à desigualdade de gênero, por outro as agendas anti-igualdade ganham espaço. 

Em 2024, pela primeira vez em uma década, caiu a porcentagem de financiamento público de países ricos destinado a questões de gênero em países de baixa e média renda. O contexto expõe mais mulheres à vulnerabilidade: na análise de igualdade econômica e de gênero da Equal Measures 2030, entre 2019 e 2022, a desigualdade de renda estagnou ou se tornou pior em três quartos dos países. Quando as desigualdades que afetam metade da população mundial são aprofundadas, outras crises se ampliam. 

Não por acaso, os índices relacionados aos ODS para Igualdade de Gênero no Combate à Fome e Igualdade de Gênero para Paz, Justiça e Fortalecimento das Instituições tiveram as maiores quedas no mundo. A igualdade está fortemente relacionada à democracia, mas a política mundial passa por uma perigosa escalada da polarização e repressão de direitos civis. O Equal Measures 2030 classificou 65% dos países analisados como “pobres” ou “muito pobres” em relação à proteção de direitos pessoais, individuais e proteção contra discriminação, e o índice que registra o direito das mulheres discutirem questões políticas em espaços públicos e privados registrou queda entre 2015 e 2022

O aumento da violência contra a mulher também preocupa — da física e sexual à psicológica e política, chegando até a ambiental: 56% dos países são considerados “muito pobres” no ODS que mede a satisfação de mulheres com as políticas ambientais. E como tudo está relacionado, 35% dos países é classificado como “muito pobre” na representação de mulheres nas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. 

 

Um esforço conjunto para acelerar a igualdade

Nos últimos anos, quase um terço dos países fizeram progressos rápidos em direção à igualdade de gênero, só que os melhores avanços ocorreram em países onde o índice de igualdade foi considerado “pobre” ou “muito pobre”, ou seja, é mais fácil atingir bons resultados tendo um ponto de partida baixo. Os países mais igualitários têm dificuldade em alcançar as populações marginalizadas e erradicar de fato a desigualdade. Segundo o Equal Measures 2030, tal estagnação os aproxima de condições de retrocesso.

O Brasil apresenta um índice de igualdade de gênero considerado “pobre”, ocupando a 64ª posição na relação de países do mundo e o 6º lugar na América Latina. De 2019 a 2022, os avanços brasileiros foram rápidos, mas a previsão para os próximos anos é de lentidão. Nosso país se destaca pelas leis que protegem e reconhecem orientação sexual e identidade de gênero e na cobertura estatística de indicadores de gênero, mas ainda desempenha mal na presença feminina em cargos de alto escalão do governo, assim como no casamento de mulheres com menos de 19 anos.

É nesse contexto que as empresas podem repensar estratégias para alcançar suas próprias metas de igualdade de gênero. A ONU reforça que organizações são fundamentais para criar soluções sustentáveis e inovadoras, investir e financiar nos ODS, colaborar com ONGs através de parcerias institucionais e advogar pelos ODS com práticas de governança corporativa e responsabilidade social.

A pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero 2023-2024”, do Instituto Ethos, mostra que o Brasil tem potencial de se tornar referência na redução das disparidades de gênero. Mas, apesar de 94% das lideranças concordarem que é preciso empreender ações pela igualdade e pelo fim das barreiras para as mulheres no mercado de trabalho, apenas um terço das organizações acredita que faltam ações de diversidade e inclusão específicas para mulheres.

Como a realidade está longe da prática, ainda existe espaço para impulsionar a igualdade de gênero. Adaptando a cartilha do Equal Measures 2030, destacamos cinco esforços principais para as empresas impulsionarem: 

  1. Aumentar a liderança feminina: 52% das organizações com políticas afirmativas têm metas para promover mais mulheres na liderança, mas elas ocupam apenas 19% dos conselhos administrativos. Já as mulheres negras são apenas 2% desses cargos e somente 7% das empresas têm metas para que elas cheguem à liderança.
  2. Reformar e implantar políticas de igualdade: 78% das empresas adotam políticas de igualdade de gênero, mas apenas 37% têm metas para reduzir a desigualdade salarial, embora esteja prevista em lei. Políticas de igualdade devem ser atualizadas e eficazes para responder a situações discriminatórias e promover inclusão.
  3. Levantar dados sensíveis a gênero: Com dados assertivos podemos construir políticas assertivas. Por exemplo, 30% das empresas atribuem a falta de mulheres na liderança à baixa qualificação, mas as mulheres são mais escolarizadas do que os homens, e o que de fato afeta suas carreiras é a sobrecarga da dupla ou tripla jornada de cuidado.
  4. Investir no suporte ao cuidado: Apoios como creches, licenças parentais e jornadas flexíveis são essenciais para promover a equidade de gênero. No entanto, apenas 19% das empresas oferecem licenças paternidade superiores a 20 dias.
  5. Criar espaços de apoio: Grupos de afinidade servem para mulheres se apoiarem e proporem melhorias no ambiente de trabalho. Segundo a Exame, esse é o tipo de grupo mais presente em empresas que investem em DE&I, o que impulsiona a transformação organizacional.

O Equal Measures prevê novas crises pela frente. Cabe à sociedade e seus diversos atores se organizarem para lidarmos de forma resiliente e próspera ou com maior vulnerabilidade social e econômica – tudo depende do que será feito pela proteção dos direitos das mulheres agora. Que tal acelerar a mudança para uma rota mais sustentável já em 2025?

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