Todos os índices pioraram e não existe perspectiva de avanço sem o engajamento de toda a sociedade e, principalmente, do setor privado
A violência contra a mulher aumentou e afetou pelo menos 1,2 milhões de brasileiras segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, lançado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Segundo a Rede de Observatórios da Segurança, em 2024, a cada 3 horas uma mulher é vítima de feminicídio, violência física, sexual, patrimonial, financeira ou psicológica no Brasil. Além disso, o país registrou 1 estupro a cada 6 minutos, sendo 62% das vítimas menores de 14 anos (FBSP, 2024). Mesmo que a reestruturação do sistema de proteção às mulheres tenha impulsionado o número de denúncias, é visível que as violações também se intensificaram:
“O fato é que temos um crescimento acentuado que não pode ser tributado apenas a um encorajamento das mulheres a denunciar, porque isso é algo que inclusive está sendo captado por pesquisas de vitimização, então estamos de fato falando de um aumento da prevalência.” – Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Provavelmente, há uma mulher vítima de violência dentro da sua empresa
A importunação e o assédio sexual, violações frequentes no ambiente de trabalho, cresceram 49% e 29% em 2023, e metade das brasileiras já sofreu algum tipo de violência doméstica ao longo da vida. Ainda que o estigma e a falta de conhecimento impeça colegas, líderança e empregadores de identificar e intervir nos casos, a violência de gênero está vitimando também as trabalhadoras da sua empresa. Isso é fato.
Culturas organizacionais que reproduzem o machismo contribuem com a hostilidade às mulheres (o que piora nos setores predominantemente masculinos, como a área de tecnologia, a indústria e a construção civil). Os dados mostram que apenas 19% das empresas contam com políticas e ações de combate à violência doméstica, e só 9% têm serviços de psicologia e apoio jurídico às vítimas.
A indiferença tem consequências. Segundo a Universidade Federal do Ceará, a violência doméstica faz o Brasil perder ao menos 1 bilhão de reais todos os anos. As agressões aumentam o absenteísmo e levam mulheres a faltar em média 18 dias de trabalho, provocando danos na saúde mental que afetam o desempenho e aumentam os riscos de demissão. O desemprego, por sua vez, impulsiona a vitimização: segundo o Ipec, 53% das mulheres não conseguem deixar uma relação violenta porque dependem economicamente dos seus companheiros. Se o mundo do trabalho ignora a violência de gênero, também contribui para a perpetuação desse ciclo.
Ações e práticas para a empresa agir em defesa das mulheres
O setor privado é fundamental na rede de apoio porque pode usar seu poder de influência e sua presença na vida de clientes e colaboradores para promover conscientização, apoiar denúncias e acolher vítimas, interrompendo o ciclo de violência entre as mulheres do seu entorno. Destacamos aqui três eixos e exemplos práticos para as empresas:
Analisar a própria cultura e cadeira produtiva, entendendo seu impacto social na vida das colaboradoras e das mulheres nas comunidades com as quais atua. A partir daí, mitigar os riscos de violência de gênero e aumento da vulnerabilidade social.
- Em parceria com a Think Eva, a Magalu realizou um levantamento entre seus colaboradores sobre assédio moral e sexual e a partir disso implementou uma plataforma de comunicação e letramento para combater essas violências no ambiente de trabalho, conscientizando, capacitando e difundindo os canais de denúncias.
- O #MarisaAcolhe é um canal interno e sigiloso para apoiar mulheres com suporte jurídico, acolhimento e atendimento psicológico. Também pode ajudar a colaboradora a mudar de local de trabalho e ser escoltada em casos graves.
- Outra iniciativa que vale ficar de olho é da TIM, que está transformando suas lojas físicas em ponto de apoio a mulheres em situações de perigo. O programa está em implementação e vamos acompanhar os aprendizados nos próximos anos.
Criar e implementar protocolos de acolhimento, proteção e direcionamentos às vítimas.
- Além de disponibilizar um canal de denúncias dentro do próprio aplicativo de compras, a Magalu possui um programa de orientação, assistência psicológica, jurídica e financeira para funcionárias vítimas de violência, e garante a integridade delas realocando-as dentro da própria rede.
- No estado de São Paulo o Programa Tem Saída constrói parcerias público-privadas para promover autonomia financeira e empregabilidade de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, através da capacitação profissional e inserção em postos de trabalho dentro de organizações parceiras.
Investir e apoiar ONGs e iniciativas que trabalham com a defesa das mulheres, combatendo a violência em toda a sua cadeia.
- O Instituto Avon desenvolveu um chatbot aberto ao público para acolher e orientar vítimas de violência. A Natura criou em parceria com a Think Eva um curso sobre Relações Saudáveis com perspectivas interseccionais, para que consultoras e outras mulheres possam identificar, prevenir, romper e denunciar ciclos de violência. O Metrô de São Paulo possui ações de para inibir a importunação sexual no transporte público, que incluem campanhas de comunicação, capacitação de funcionários e postos de atendimento a mulheres vítimas de violência em sua estrutura.
- A Marisa também já reverteu parte do lucro das suas vendas para iniciativas como o Instituto Maria da Penha, que atua na causa por mulheres vítimas de violência.
A defesa das mulheres começa com o compromisso de todos. A Think Eva tem experiência no combate e na prevenção do assédio nas empresas, na criação de culturas igualitárias e acolhedoras para mulheres e no desenvolvimento de estratégias que provocam impacto positivo na vida das brasileiras. Nós podemos te ajudar.
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*Este conteúdo contou com a colaboração de Rubiana Viana.