Entre os 79 milhões de inadimplentes no Brasil, 50,4% são mulheres. O que isso nos conta sobre a vida e a saúde financeira delas?
Dinheiro é o segundo maior sonho das brasileiras e aqui vamos direto ao ponto: não é por luxo ou ostentação, mas sim pela escassez e urgência que a vida cotidiana impõe. Se por um lado elas desejam autonomia financeira, por outro, estão se endividando para dar conta do básico.
Todos os meses, o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívida do Serasa é divulgado. No mais recente, de setembro de 2025, o Brasil chegou a 79 milhões de inadimplentes, sendo 50,4% mulheres. O valor médio das dívidas foi de R$6.274 reais e as principais são com cartões de crédito (27%) e contas básicas como água, luz e gás (21,3%).
Ou seja, o dinheiro é – essencialmente – para a sobrevivência. Com salários mais baixos, menos oportunidades, mais responsabilidades e desigualdades estruturais, entrar no vermelho se torna quase inevitável. Mas respira e vem com a gente porque vamos te contar rapidinho a história completa.
* Mães e chefes de família
As mulheres já chefiam cerca de 50% dos lares brasileiros. Elas também gastam duas vezes mais tempo com trabalho doméstico e de cuidado do que os homens (IBGE). Isso limita significativamente suas oportunidades profissionais e sua renda. Ainda assim, quando conseguem recursos, reinvestem até 90% desse dinheiro na própria família e na comunidade, segundo o Banco Mundial. Apoiar financeiramente mulheres não é só fazer o que é certo ou reparar injustiças históricas, mas também desenvolver a economia de forma inteligente.
* Desigualdade no acesso e na ascensão
A desigualdade financeira não começa na dívida: começa no trabalho. Mulheres ganham, em média, 21% menos que homens na mesma função. Já as mulheres negras, recebem menos da metade do salário de um homem branco. Quando elas se tornam mães, o cenário piora: a penalidade materna reduz sua participação no mercado de trabalho e sua renda (e não somos nós que estamos dizendo e sim a Claudia Goldin, Nobel de Economia!). O combo de preconceitos afasta sua autonomia financeira e possibilidades de crescimento. Muitas empresas já entenderam isso e estão mudando o cenário, mostrando que negócios diversos são negócios mais inovadores, prósperos e sustentáveis.
* Consideradas fúteis quando buscam lazer ou prazer
Enquanto homens desejam status e reconhecimentos – e gastam com itens que simbolizam poder como carros e eletrônicos – as mulheres são julgadas até mesmo por pequenas compras pessoais, como uma peça de roupa ou um delivery após uma semana exaustiva. Para eles, é mais um gasto comum. Para elas, uma irresponsabilidade e uma onda de julgamentos. Mas não podemos esquecer que as principais dívidas são para cobrir despesas básicas. Além disso, por que o lazer, o consumo e o descanso não podem ser garantidos – sem culpa – a elas?
* Relação com o dinheiro
Até 1962, se uma mulher quisesse abrir uma conta no banco, o marido precisava autorizar. A ideia de que elas não entendem de finanças afastou as mulheres das decisões econômicas por séculos. Em uma sociedade capitalista e machista, dinheiro é controle – e controle mantém o status quo. Até hoje, a maior parte das brasileiras não tem estímulo ou conhecimento para poupar, investir e negociar. Apenas 33% são investidoras e falar sobre dinheiro, geralmente, traz desconforto e insegurança. A falta de informação, de serviços acessíveis e políticas públicas para a educação financeira feminina as obrigam a continuar fazendo muito com pouco.
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Quando falamos de mulheres com acesso a renda e a conhecimentos financeiros, estamos falando de autonomia para quebrar paradigmas e reduzir desigualdades. Com dinheiro na mão, elas podem romper ciclos de violência e deixar de depender do seu abusador, cuidar melhor de suas famílias e – por que não – realizar os próprios sonhos.
Só fazendo com que mulheres se encontrem com o universo das finanças podemos alcançar a igualdade de gênero e as mesmas oportunidades.