Cadê o dinheiro que estava aqui? O Pix invisível levou

O que é o Pix invisível e por que os gastos cotidianos da família ainda ficam ao encargo das mulheres?

“Dinheiro é assunto de homem… Eles entendem mais sobre números… Deixa que meu parceiro define onde vou investir e pronto.”
Se alguma dessas crenças faz parte da sua vida, não é por acaso. O sistema capitalista e produtivo vem sendo moldado, majoritariamente, por homens. E, não por acaso, as mulheres foram afastadas das questões financeiras ao longo do tempo.

O novo Lab Think Olga e Think Eva, Elas pagam a conta, traça um dos panoramas mais completos sobre a relação das mulheres com o dinheiro. Para além da perspectiva histórica e dos números, o estudo explica as desigualdades que vivemos ainda hoje, quebra estereótipos e mostra caminhos para ampliar a autonomia financeira feminina.  

Entre os aprendizados, o Pix invisível é, sem dúvidas, um dos que mais ressoam em mulheres de diferentes realidades.


O que é o Pix Invisível?

O presente de aniversário, o remédio da mãe que adoeceu, o material escolar do filho… Sabe aqueles gastos cotidianos que ficam “escondidos” na planilha financeira ou não são considerados tão importantes quanto o aluguel? “Pois é: eles importam, sim, e têm um peso orçamentário significativo que, geralmente, fica a cargo das mulheres – que, em média, já ganham menos e acumulam o trabalho de cuidado.”

“Esses pequenos custos do dia a dia — que passam despercebidos — se acumulam de forma significativa. Quando você combina isso com uma renda que, em geral, ainda é menor, a conta simplesmente não fecha. Por isso, não surpreende ver diferenças tão grandes nos níveis de reserva financeira. E o mais crítico é que, muitas vezes, esses gastos nem chegam a existir no radar masculino. Não é necessariamente uma questão de falta de vontade de dividir. É que, para eles, esses custos simplesmente não aparecem.”
Vivian Ferraz, planejadora financeira

Normalmente, os custos ligados ao dia a dia e ao bem-estar da família ficam na conta das mulheres. Já a escola, o plano de saúde e a moradia costumam ser assumidos pelos homens. São contas grandes e visíveis, que conferem o status de provedor. O que fica fora dessa lista não tem nome e não entra na planilha.

“Eu fui ter uma visão do Pix Invisível quando fui processar o genitor do meu filho. Meu advogado mandou uma planilha para preencher com cada centavo: uniforme, material, presente dos amigos, dia dos professores, passeio da escola, cinema, sorvete no parque, remédio, lembrancinha de Páscoa e Natal para professores, atividades extracurriculares… Foi quando fui garimpar tudo isso e ter uma dimensão real desses gastos. A partir daí passei a usar esses valores de referência no meu orçamento. Hoje tenho teto de gastos para tudo isso.”
Mulher da Comunidade Think Olga

“É muito dinheiro que vai nesse Pix invisível. (…) E a carga mental é imensa. As roupas que estão perdidas, comprar novas. Higienização do sofá, manutenção do ar-condicionado, da máquina de lavar… São serviços caros e que a cada mês corroem nosso orçamento. Porque, infelizmente, ainda são as mulheres que se responsabilizam por isso.”
Mulher da Comunidade Think Olga



O Pix invisível também compromete a
capacidade delas pouparem e investirem. Quando uma parcela relevante do salário se vai em pequenos gastos não planejados, sobra menos para aplicar e construir patrimônio. E essa é mais uma conta que as mulheres pagam sem que ninguém contabilize.

O dinheiro do homem é do homem.
O da mulher, é da família.

Conheça o estudo Elas Pagam Conta aqui. 

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