A normativa vai exigir que empresas gerenciem os riscos ocupacionais e fatores psicossociais. Isso significa, na prática, que as organizações precisam olhar de forma intencional para o ambiente de trabalho, gerenciando a carga de atividades, enfrentando o assédio em todos os níveis e preservando a saúde mental. Parece óbvio, mas precisou virar lei. E isso nos faz pensar: como chegamos até aqui?
Vivemos mais um ponto crítico em que precisamos definir o mundo do trabalho da nossa e das próximas gerações. Há décadas, a gente vem transformando gente em máquina: “Trabalhe mais, reclame menos, esteja sempre disponível”.
A lógica da “produtividade a qualquer custo” resultou em recordes de burnout e ansiedade, altos níveis de estresse, rotatividade nos cargos e impacto negativo na rentabilidade dos negócios. Para as mulheres, essa performance se soma a salários mais baixos, dificuldade de ascensão profissional e, principalmente, a conciliação com o trabalho não remunerado de cuidado. A receita para o adoecimento mental.
Temos, de novo, a chance de restaurar as relações e caminhar para modelos mais sustentáveis, em que as pessoas voltam a ser pessoas, com vida pessoal, limites, talentos, erros e potências. A NR-1 é uma oportunidade de reumanizar e reconectar a equipe, cuidar das relações e construir uma cultura organizacional sustentável.
Não existe uma fórmula mágica para se adequar à normativa, apesar de já tentarem vender algumas por aí. Gerenciar riscos psicossociais é um trabalho que precisa ser customizado e contínuo, que vai exigir compromisso institucional, envolvimento e atitude das lideranças.
Se você não sabe o que fazer primeiro, a gente pode te ajudar. Recomendamos começar pelas mulheres, olhar para aspectos de saúde integral e para o enfrentamento ao assédio e à violência. Temos aqui algumas soluções que podem te apoiar nesse momento.